Contactos com o “IN”
Poucas foram as vezes que lhe vi o rosto.
Vêem-me no entanto à memória os nomes dos locais, como que fazendo parte de uma nebulosa de acontecimentos tão distantes mas tão presentes, onde perpassa a sensação de angústia e impotência que em alguns deles se viveu.
Baixa das Bananeiras, Baria, Benifo, Biambe, Biamga, Bindoro, Binhalom
Cai, Camã, Cambajo, Canfanda, Cantoré, Changalana, Claque, Cubonje, Cufar, Cussanja
Dando, Date
Embonhé
Fátima
Gamol, Ganturé, Guebambol
Imboé, Infandre, Inquida, Iracunda
Lochner
Manfeta, Mansudé, Maqué, Mindodo, Morés, Namedão
Nhae, Nhamate
Oio, Olom
Pache, Paile, Porto Gole
Quenhaque, Queré
Sabá, Sansanto, Santambalo, Saracuol
Talico, Tumaná
Uália

Chama: contacto com IN
Quadrado: destacamento NT
24 Outubro 2008 às 15:06
Em 1963 ou 64 (a memória já não ajuda muito…), um pelotão da CCaç 411 de Buba, requisitado para tomar parte numa operação comandada pelo ten.cor. Delgado, do batalhão de Catió, deslocou-se de Fulacunda para Tite – o comandante do pel.at. era o alf.mil. Gusmão. A meio do caminho, antes de chegar a Nova Sintra (ao tempo uma tabanca abandonada, ainda sem quartel das NT), enquanto tentavam levantar o enésimo abatiz, o pelotão foi atacado simultaneamente pelos grilhas e pelas famosas abelhas africanas! Foi o fim do mundo! Mais tarde, alguns dos nossos rapazes disseram-me que chegaram a cruzar-se com guerrilheiros que também procuravam desesperadamente escapar às ferroadas das abelhas – e como ferram, as malditas! Como resultado da dupla emboscada, foi necessário evacuar o alferes e vários soldados. À pressa, meteram-me no mesmo pardal que levou os feridos para Buba para substituir o alf. Gusmão e fui encontrar a malta do pelotão já em Tite, tremendamente desmoralizada e alojada em péssimas condições numa espécie de telheiro sem paredes. Por causa disso, tive uma discussão dos diabos com o comandante do batalhão de Tite, um tenente-coronel de quem não me recordo o nome, (carregava nos erres e ficara conhecido no meu curso de COM em Mafra pelo capitão terrorista) – se não fosse o ten-cor Delgado intervir, estou convencido que a minha carreira de oficial miliciano teria terminado ali…
Enquanto estivemos em Tite, fizemos um golpe de mão à tabanca de Iusse e fomos recebidos a tiro pelos grilhas que lá estavam – a 2kms do quartel…! – e um “passeio” por Bissassema, Belel, Benausse e Feningue, sempre bem recebidos e acompanhados pelo IN, todas estas tabancas a uns escassos quilómetros de Tite. Foi aqui e então que nasceu a designação de “aramistas” para certa tropa de guarnição.