Olossato

Torre abrigo com vista para a pista de aviação.

Vista do exterior.

Abrigo das peças de artilharia – obus 8,8. No centro ao fundo vê-se o que era o Posto Médico Sanitário, antes da guerra.

A chegada do helicóptero era sempre um “ronco” quer para o bem quer para o mal.

Em fila os miúdos aguardam a distribuição de àgua potável transportada pelo Unimog.

Efeitos de uma mina na estrutura da ponte…fora o resto.

Aqui o campo da bola, a balisa, uma torre e a reconstrução permanente dos abrigos devido à sua natural destruição pelas águas e insectos vorazes.

O antigo Posto Médico Sanitário cravejado de projécteis.

A navegação no Rio Cacheu. “A vulnerabilidade… era extremamente elevada, transformando o navio e outras embarcações que cruzassem aquela zona em alvos potencialmente fáceis de ser atingidos em emboscadas, muitas vezes ardilosamente montadas.” (Manuel Lena Santos)
[mapa gentilmente enviado por, Manuel Lema Santos, ex-1TEN RN 1965/72, Guiné, LFG "Orion" 66/68]

Vista de pormenor dos abrigos feitos de cibos.

Pontão ainda não totalmente destruído sobre o rio.

Outro pormenor da “muralha” e da torre.

O largo no interior do aquartelamento, ao fundo uma corda com roupa estendida faz supor a entrada para os aposentos.

Pormenor de um obus 8,8, vendo-se ao fundo a tabanca.

A “ponte suspensa” cuja estrutura é feita com os restos de uma viatura.

A poisar para a fotografia vemos uma pequena parte do “ronco” da operação Castor.
Escrito no vaso das flores está “CArt 566″, mas só se vêem os dois últimos algarismos. A 566 foi a construtora deste aquartelamento em 64.

Grande plano da torre abrigo.
(foto gentilmente enviada por Rui Silva
ex-Furriel mil. da Comp.ª de Caç. 816 – Guiné 1965/67)

Vista aérea com a pista à esquerda.
(foto gentilmente enviada por Rui Silva
ex-Furriel mil. da Comp.ª de Caç. 816 – Guiné 1965/67)
25 Setembro 2008 às 0:22
Carissimo CAMARADA Henrique Cabral.
Muito prazer em relembrar o nome do “Furriel Cabral” e muito mais num trabalho de enorme alcance. Quem te recorda é o Ex-Furriel Milº Eduardo Domingues da C.Caç. 816 (1965/1967 Bissorã-Olossato-Mansoa).
É com enorme satisfação e emocionado que revejo a ponte do Olossato bem como o abrigo, cuja construção teve, com certeza, a minha provável colaboração.
Revisitei Bissorã e Mansoa. Olossato é para mim a aldeia de eleição pelo facto de ter por lá passado grande parte da comissão da C.Caç.816.
Prometo voltar em breve e com a minha modesta colaboração acrescentar, dentro do possível, factos mais remotos.
3 Outubro 2008 às 23:31
Olossato, minha aldeia de eleição da Guiné Bissau. Decorridos que são mais de 43 anos da nossa missão, é raro o dia que não recordo Olossato, por bons e muito maus momentos convividos e vividos.
Tabanca de gente boa, pacífica, voluntariosa. Lembro com saudade as nossas lavadeiras, nomeadamente a “COSSA”, com as quais nos divertiamos imenso com as nossas “bocas” malandras que todos os que por lá passamos conhecemos.
Recordo com muita, mesmo muita saudade dois miúdos que foram “apanhados” numa operação pela Caç.816 e posteriormente viviam, cresceram e acarinhamo-los no quartel. Seus nomes “SANA” e “ABDUL”. Que será feito deles?? Gostava de saber.
Recordo o sabor das mangas, banana e ananaz. Boas coisas!!!
Entretanto, no dia 1 de Agosto de 1965, o meu saudoso e amigo JOÃO SILVA ficou numa emboscada de 1 morto e 8 feridos na bolanha de Joboiá (estrada Olossato/Farim) no regresso de uma operação de limpeza da estrada do Olossato até ao K3.
Consequências da guerra.
Paz à sua alma.
18 Outubro 2008 às 21:50
Como elemento da C.Caç.816, tive o grato prazer de ser convidado a participar no convívio da C.Art. 566, que decorreu em Vila Nova de Gaia. A C.Art 566 foi a 1ª a instalar-se no Olossato por volta de 1964, o que implicou que tivesse de construir o aquartelamento e respectiva defesa. A “formatura” decorreu no quartel da Serra do Pilar, seguida de missa na capela do Quartel rezada pelo respectivo capelão. De seguida foi depositada uma coroa de flores no monumento aos Mortos do Ultramar, com honras militares. Silêncio sepulcral de meditação por parte de todos os presentes. Grande momento….
Durante a tarde decorreu o almoço convívio em restaurante local. Alguns discursos carregados de emoção.
Reconhecimento de grandes amizades, que só os momentos difíceis da vida conseguem eternizar.
21 Outubro 2008 às 23:40
Novas fotografias publicadas sobre o Olossato estão a aumentar a minha curiosidade. P.F. mandem mais para recordar com pormenor, como sejam a caserna, cantina, messe de oficiais e de Sargentos e tabanca.
5 Novembro 2008 às 16:59
Caro Henrique:
Quando “ouço” Olossato logo digo presente(!) e logo fico sensibilizado.
Porque Olossato foi a terra da 816 durante praticamente 1 ano.
Porque Olossato era terra de gente humilde, ordeira e indubitavelmente amiga.
Porque Olossato era, era…
Obrigado amigo por me “levares” lá.
Reconheço perfeitamente a maior parte das fotos e vou enviar-te algumas para que Olossato cada vez esteja mais vivo.
Um abraço
Rui Silva (ex-Furriel mil. da Comp.ª Caç 816 (Guiné 1965/67)
30 Novembro 2008 às 3:00
Caro Amigo.
Já por aqui tenho andado, mas só agora é que decidi escrever sobre o Olossato. Também estive nessa aldeia em 1969 e princípios de 1970 como furriel mil. do s.a.m. e da cc 2402/bat2851 sediado em Mansabá.
Vindo de Co onde estive na primeira parte da minha estadia na Guiné, o Olossato foi como que uma maravilhosa descoberta. Nem tudo era perfeito, mas tudo correu pelo melhor. As fotos que aqui posso ver, algumas ainda me lembro bem delas, embora no ano que lá estive e até ser rendido por uma companhia de cavalaria, estivesse tudo muito limpo e organizado. Eu gostava do nosso bar de oficiais e sargentos. A Cantina era grande e tinha de tudo. A secretaria era grande e com o calor na rua até apetecia estar a trabalhar. A única nota negativa é que a CC que rendemos em meio de 69 não nos deixou muito para comer e tivemos uma vista do Gen Spínola por causa disso. Não sei o que aconteceu, mas ele quando falou comigo estava furioso. Escusado será dizer que no dia seguinte tivemos um avião com mantimentos e a coluna logo na semana a seguir. Gostei do Olossato, tal como gostei de visitar Bissorã.
Obrigado pela oportunidade de visitar este blogue.
João Gomes Bonifácio (ex-fur mil do SAM)
BatCac2851/CC2402- 1968/70
2 Dezembro 2008 às 18:11
Caro amigo agradeço imenso este relembrar do sítio onde passei maus e bons momentos com grandes camaradas meus da C.CAV.3568, Os Fantasmas da Bolanha – 72/74. Bons momentos, éramos uma companhia muito alegre e raro era um camarada que estivesse abatido porque era logo animado pelos outros. Maus momentos, recordo um ataque que sofremos com armas pesadas e ligeiras a poucos metros do arame durante uma hora e dez minutos do lado de Morés (Mansoa) quase com fogo cerrado onde pedimos ajuda à aviação e nada, pedimos munições e nada, o que nos valeu foi termos poupado as munições esperando que eles as gastassem todas e foi assim que aconteceu com a retirada rápida.
Todos os anos temos um convívio almoço. Bem Haja e um grande obrigado.
Tony Radiotelegrafista, C.CAV. 3568-Os Fantasmas da Bolanha – Olossato 72/74
24 Dezembro 2008 às 2:58
É NATAL.
Para todos os ex combatentes da Guiné, nomeadamente Olossato, Bissorã, Mansabá e Mansoa….zona do OIO, e repectivos Guineenses, votos de Festas Felizes.
2008 foi um grande ano para “alguns” e é nossa responsabilidade fazer com que 2009 seja muito melhor para muitos mais.
Que todos os projectos se concretizem, que sejamos mais intolerantes que nunca ante a pobreza e a ignorância, são os meus votos para 2009.
Eduardo Domingues
4 Fevereiro 2009 às 0:03
Fantasma Toni gostei de ler o teu comentário no qual fazes referência a uma situação muito complicada da qual eu me lembro que foi na noite do dia 10 de Agosto de 1972 aniversário do nosso amigo Tricão da Chamusca. De facto como tu recordas tínhamos uns camaradas muito alegres, éramos como uma família. Gostei imenso de ver as fotos do Olossato e em breve vamos estar juntos em mais um convívio da companhia os Fantasmas da Bolanha. Um abraço do amigo Viola de Peniche.
26 Fevereiro 2009 às 23:08
Gostei de ver as fotografias cedidas por Rui Silva da Comp.Cac 816.
Ele esteve no Olossato e quando lá chegou eu já lá estava, já que eles foram substituir a Comp 566.
Gostaria imenso poder entrar em contacto com o ex-furriel Rui Silva.
Eu, ex-alferes mil. de artilharia, responsável pelo pelotão de artilharia estacionado em Olossato, para onde fui a 12 de Maio de 1965 e de lá saí em Setembro de 1966.
Nota: uma pequena correcção, as armas de artilharia não são pecas 11,4, mas sim obus 8,8 e a casa que se vê ao fundo não era a do Chefe de Posto, mas sim a que servia de Posto médico-sanitário antes da guerra.
Agradecia resposta
Manuel Brandão
27 Fevereiro 2009 às 0:01
Caro companheiro Brandão. É sempre com grande emoção que sentimos o reaparecimento de camaradas de Guerra, sobretudo do mesmo local onde vivemos dias difíceis da nossa juventude. Maior é a satisfação pelo facto de eu, Eduardo Domingues, ex Furriel Milº da 816 e companheiro e amigo do Rui, para além de que quando nos encontramos pelo Porto ou pela Vila da Feira, a conversa começa e acaba sempre no Olossato.
Naturalmente relembramos muitos camaradas e de entre eles o “Alferes Brandão” comandante do pelotão de Artilharia, peças efectivamente 8,8.
Relembramos o Brandão que pela memória que nos resta e coincidência era natural de Paços de Brandão???!!!!. Será verdade???. Assim sendo, fácil será de nos encontrarmos pois que o Rui vive na Feira e eu vivo no Porto. Contactos telefónicos e encontros familiares acontecem com certa frequência entre nós desde que viemos da Guiné.
As fotografias estão fantásticas. É bom recordar.
Agradecimentos ao Cabral pela iniciativa.
Se vives aqui pelos arredores facilmente nos podemos encontrar. Será fácil e se o Rui não vir estas mensagens eu falo com ele e combinamos.
Um abraço
Eduardo Domingues
28 Fevereiro 2009 às 12:11
Caro Manuel Brandão:
Fiquei muito sensibilizado por teres gostado das minhas fotos neste “site” tão bem elaborado e simpático do nosso amigo Henrique. Mais ainda por te teres lembrado de mim o que fez de imediato lembrar-me muito bem de ti e da tua peculiar e alegre boa disposição.
Muito obrigado a ti e ao Henrique.
O “puzzle” começa a remontar-se; os nossos amigos que vão falecendo estão connosco também neste “puzzle”, óvbviamente. Uma palavra de saudade e carinho para estes.
A Guiné, pese embora os motivos contra-natura, teve o condão de conhecermo-nos e assim alastrar o campo de amigos.
Ao falar do Olossato não esqueço, assim como naturalmente os camaradas da 816 e do pelotão de Artilharia que tu tão bem comandaste, daquela gente humilde e boa que se viu emparedada numa guerra que eles, pela sua ignorância, eram os primeiros a ficarem incrédulos e os mais sacrificados. Deus proteja o Olossato!
Brandão até sempre.
Henrique um abraço.
Rui Silva